14 de Março

Belorizontinos e a Habilidade de Me Emputecer!

Publicado em Desabafos por Igor Faria em Novembro 5, 2009

Não é de hoje que a gente comenta aqui em casa sobre uma mania que todo belorizontino parece ter. Não é de hoje, nem de ontem. Reparamos nisso desde antes de sequer cogitarmos nos mudarmos para a capital. É mais fácil de dizer qual mania é essa se eu ilustrar pra vocês. Então venham comigo e imaginem a cena…

Uma vaguina pelo amor de Deus?      Você está no estacionamento do shopping, procurando uma vaga sagrada, no meio de um mar de carros. Percebe que aquele cara andando na sua frente vai em direção ao carro dele e você, educadamente, para ao lado e pergunta se ele vai sair. “Sim”, ele responde e você quase urra em comemoração. Finalmente uma vaga! Agora é só esperar o sujeito sair e tudo ficará bem… You wish! Uma pessoa normal se compadeceria da sua necessidade em estacionar logo o carro e parar de fuder com o trânsito, e se agilizaria para liberar a vaga o mais rápido possível, correto? Sim, uma pessoa normal faria isso. Mas não um belorizontino… O cidadão vai entrar no carro, ajeitar a poltrona, ligar pra namorada, ligar o som do carro, ajeitar todos os retrovisores, ligar o carro, conferir se está tudo funcionando corretamente, vai sintonizar na rádio que mais gosta, ou trocar o cd por um melhor, vai então colocar os óculos escuros, procurar o cartão do estacionamento, para só então, depois de quase dez minutos, engatar a ré e sair da vaga…

Agora imaginem outra cena: Após estacionar o carro e andar por todo o shopping com a sua família, vocês resolvem  ir comer alguma coisa na praça da alimentação. Mas.. Hmm, que azar! Vocês resolveram lanchar justo na hora em que está todo o mundo lanchando e achar uma mesa vaga vai ser mais difícil do que comer a tia do Bátima! Opa, pera ai… Aquela dupla de senhoras ali acabou de pagar a conta e, apesar de estarem ocupando uma mesa que cabem seis pessoas, parece que está tudo resolvido e você e a sua família vão finalmente poder desfrutar de uma alimentação saudável de shopping, bem confortáveis. Como quem não quer nada, vocês se aproximam e ficam por ali, esperando a dupla de senhoras vagarem as cadeiras, mas tentando não fazer muita pressão, afinal elas também são filhas de Deus alguém e merecem respeito. E nesse ponto há Você ta vendo alguma mesa vaga por ai?uma discordância: há quem prefira se dirigir aos ocupantes da mesa e perguntarem se estão vagando, e há quem prefira ficar de boa, vendo que a conta já foi paga e tudo o mais. Não importa qual a sua estratégia, a verdade é uma só: o pessoal não vai sair da mesa por um bom tempo! Eles vão gastar mais de cinco minutos para engolir os últimos dez mililitros de cerveja, ou comer as últimas duas colheradas do sorvete, ou simplesmente continuar a bater papo, ignorando que a praça de alimentação está LOTADA e que tem mais gente querendo utilizar as mesas!

Hoje essa habilidade fantástica enervante dos belorizontinos atingiu um grau ainda mais evoluido. Quem sofreu com isso? Eu, claro!

Após a aula de natação, na academia onde “malho”, fui pro vestiário tomar meu banho usual, como faço todos os dias. Por algum motivo qualquer, um das paredes que segura as portas dos chuveiros simplesmente CAIU, inutilizando a função do lugar pela metade. Dos seis chuveiros que existem normalmente, apenas três estavam funcionando. E como se não bastasse a aula anterior cheia de marmanjos dividindo raias na piscina (terças e quintas são os dias com maior fluxo naquele lugar), os três boxes restantes estavam ocupados. Peguei minha toalha e me limitei a encostar em uma das paredes – que ainda se mantinha de pé – e esperar que um dos chuveiros desocupasse. Não demorou muito e uma porta abriu. Agora, vejam bem. Qualquer pessoa normal, nessa situação, me veria ali esperando pra usar um chuveiro, e se compadeceria com a parede caída e com os boxes ocupados, e se apressaria para me liberar pro banho, certo? Errado! Estamos falando de belorizontinos aqui. Você não estava prestando atenção?

Pois bem, sai o cara de dentro do box, já seco, já de cueca, com a toalha no ombro, olha pra mim… E VOLTA PRA DENTRO DO BOX, fazer não sei o que! Fica mais cinco minutos la dentro, sai novamente, pega qualquer coisa dentro da bolsa em cima do banco, volta pra dentro do box. Demora mais dois minutos, sai novamente, pega o xampoo e poe na mochila. Entra, um minuto, sai, condicionador na mochila. Entra no box, um minuto, sai, pega a mochila e volta pra dentro do box. Foi nessa putaria por mais uns cinco minutos, até que, por fim, resolveu que já não tinha como enrolar mais e saiu de vez.

Irritante e totalmente desnecessário. Tomando a mim como exemplo, fiquei imaginando se eu fazia a mesma coisa e a resposta – obviamente – foi não! Porque eu tenho a descência de só abrir a porta do box quando eu vou sair de verdade. E quando saio, ja saio seco, de cueca, enrolado na toalha, com a sunga molhada na mão e indo direto pra minha mochila, por o resto da roupa e liberando assim o box pra quem quiser usar.

Não sei se os belorizontinos fazem isso de propósito, ou se é algum tipo de defeito genético subconsciente que desperta. Só sei que seu eu tenho a decência de prestar atenção no meu redor e perceber se outra pessoa precisa usar o que eu não to usando mais, abro mão daquilo facil e rapidamente. É demais pedir que as outras pessoas façam isso também? Principalmente quando sou eu quem estou na fila, esperando. Principalmente porque, quando esses putos chegam atrasados e precisam dividir a raia com alguém, eu sou sempre o primeiro a me fuder!

2 Respostas

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  1. Rafael disse, em Novembro 5, 2009 às 9:30 pm

    Opa… acrescentemos aí a falta de educação no trânsito, e a mania de querer levar vantagem em tudo!!!
    Ótimo texto, continue essa linha ;)

  2. Val disse, em Novembro 5, 2009 às 10:31 pm

    Você não descreveu o belorizontino, chu, vc descreveu o SER HUMANO.
    Ser humano é essencialmente paunokoo, tá no código genético; tu que não és mesmo deste mundo … =/


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