Plano de vida: Isso é de comer?

Me ajuda ai. Eu acho que tenho sérios problemas em entender algumas coisas. Ou melhor: o problema nem está em entender. Isso eu até consigo fazer, mas a dificuldade está em perseguir.

Como eu explico? Vamos por partes: O que você pensa quando acorda de manhã? Na aula em que vai chegar atrasado? No trabalho que o espera? Nas coisas que têm que fazer durante o dia? Em alguma pessoa em especial?

É, tudo isso é válido. Mas pra mim, eu só consigo pensar que nada disso faz sentido. Não faz sentido acordar cedo. Não faz sentido se matar nos estudos ou trabalhos. Não faz sentido ter uma vida estável. Não faz sentido ter um relacionamento. Não faz sentido ter filhos. Não faz sentido ter uma boa aposentadoria.

Não faz sentido porque simplesmente, nada disso vai fazer diferença depois. Você vai morrer, isso é um fato que ninguém pode lutar contra. E, independente de você acreditar em pós-vida ou não, nada do que aconteceu vai fazer importância.

Não me entendam mal. Não estou querendo dizer que a vida pouco importa. O que eu tento entender é, como as pessoas conseguem colocar tanto esforço no que menos vai fazer diferença no fim. As pessoas quase se matam para conseguir fazer seu trabalho bem feito, pra ganhar um elogio do chefe. Mas tratam com desprezo a secretária do prédio.

Já parou pra pensar que, não importa o tanto que você trabalhe, nem o tanto que você lute por algo. Que no fim, quando o pano cinza lhe cobrir os olhos, o que vai ficar é como você se relacionou com o resto do mundo?

Eu tenho uma dificuldade imensa em aceitar algumas coisas que o mundo nos cobra. Trabalhe, seja bem sucedido, tenha uma família, seja ganacioso, procure querer sempre mais… Não, muito obrigado. Eu estou contente com meus escrúpulos e minha paz. Se é necessário fazer qualquer coisa pra chegar aonde a sociedade quer que você queira estar, eu prefiro não ficar na sociedade.

É complicado explicar, e deve ser mais difícil ainda entender.

O que eu to tentando dizer é que, pra mim pelo menos, viver uma vida nos moldes que a sociedade de hoje em dia impõe, não funciona. E eu não sei explicar porquê que não funciona. Eu só sei que acordo todo dia de manhã e prometo à mim mesmo que vou dar o meu máximo.  E ai, durante o dia, tudo que acontece só me faz querer que tudo se acabe logo de uma vez.

Parece conversa de louco depressivo suicida, não é mesmo? Tem horas que eu penso assim também. Mas eu sei que não é. Ao mesmo tempo em que eu vejo que a sociedade me deixa pra baixo, a vida em si, e as coisas que a rodeiam me facinam cada dia mais.

É realmente difícil de explicar. E nem espero que você tente entender. É só uma coisa que eu penso e sinto todos os dias, à todas as horas, e em todos os minutos… E tava precisando botar um pouco pra fora.

E olha que isso não é nem 1% do que passa pela minha cabeça ultimamente…

2 comentários sobre “Plano de vida: Isso é de comer?

  1. É…

    Vc vai achar que eu tô falando isso pra ser boazinha, criar toda uma empatia com vc, ó, criatura perdida e ludibriada pelas mazelas da sociedade contemporânea e cruel…
    Mas vc já devia saber que eu não sou disso e tô nênhaí pra certas coisas…! hahah

    Falo porque é bem verdade: eu SEI como vc se sente, chuchu.
    Eu vivo pensando as mesmas coisas, me perguntando os mesmos “pra quês”.

    Faz uns… hmm… 3 anos que me ocorreu a mesma indagação pela primeira vez -“plano de vida: é de comer?” …

    É deveras perigoso, na real, ficar tentando descobrir o sentido das coisas.
    Poucas são as que tem.
    Menos ainda, aquelas cujo sentido vc descobre a tempo de alguma coisa.
    (não me pergunte, eu ainda nao descobri nenhuma… tenho minhas suspeitas, mas tô longe de poder expor minhas teorias…)

    Tem dois caminhos pra quem não acha sentido nas coisas:
    1- suicídio, pros corajosos e desapegados.
    2- tédio ad infinitum, pros menos ousados e mais influenciados pelos discursos do Jiminy Cricket. ¬¬

    E esse tédio é perigoso tb, porque quem tá de fora enxerga como apatia, indiferença, preguiça, comodismo, falta de ambição, etc etc etc …

    Merda nenhuma! It’s soooo the very opposite de indiferença!!! Se há falta de alguma coisa, é falta do tal do sentido.

    Daí tem que ter MUITA, mas MUITA motivação no ser, pra levantar, comer seus cereais (porque coca cola e chocolate de café da manhã não é bom pra vc), ir pro trabalho, pra facul, pra whatever, desempenhar um papel (que vc não necessariamente escolheu), fazer suas coisas (que, apesar de ditas ‘suas’, não necessariamente vc gosta), pra alcançar alguma coisa que vc nem sabe se quer/precisa.

    “E ai, durante o dia, tudo que acontece só me faz querer que tudo se acabe logo de uma vez.” – aqui eu preciiiiiiiiiiso ligar ao refrão daquela música-abertura do seriado teenage drama que a gente ainda vai ver enquanto come haagen dasz.
    Eu faço isso muito, mas é porque é o refrão mais genial ever.
    Eu sempre quero saber o que vai acontecer justamente pra poder medir os esforços, saber onde aplicá-los…
    Ficar fazendo coisa assim, em vão, me irrita. Me desperdiça. Me frustra.

    É um desespero meio estrutural, na verdade.
    Porque tchipos… vc espera algum dia

    Fato que todo mundo vira worm food. Nothing you can do about that.
    Tinha um autor benloco aí, não lembro o nome… que disse que a comunicação é só um artifício que os homens inventam pra se distraírem do fato de que vão morrer um dia.
    Não se restringe só à comunicação, obviamente… tem toda uma encheção de lingüiça pra ocupar o tempo e a mente, evitando encarar o óbvio: WORM FOOD.

    E, nisso tudo, a gente se perde.
    Fica todo mundo muito voltado pra si mesmo, noiado, desesperado pra arranjar jeitos e jeitos de encher lingüiça – aos moldes da sociedade – e esquece de umas coisinhas fundamentais.
    Cosinhas, essas, que vão acumulando, acumulando, vão ficando de lado e, no fim, servem de inspiração pras musgas do naipe de “Epitáfio”, saca…??

    Só que, quando se percebe que muito esforço foi gasto com a encheção de lingüiça e pouco foi feito em prol das cosinhas fundamentais… TENDE a ser meio tarde demais.

    Esse seu post e, principalmente a última frase – “E olha que isso não é nem 1% do que passa pela minha cabeça ultimamente…” – indicam que a gente tá muito mais on the same page do que só quanto a seriados vampirescos…

    E viva a Val prolixa pracaraleo. \o/
    Tudo isso pra dizer : I KNOW HOW YOU FEEL!
    Incrível…!😄

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  2. faltou um pedaço…:

    “É um desespero meio estrutural, na verdade.
    Porque tchipos… vc espera algum dia descobrir os “pra quês”??

    Eu não… =/ I mean… eu *espero* que sim. Mas não aposto todas as minhas fichas nisso…
    Dizem que a gente é mto novo ainda… we haven’t seen everything yet.
    But I think we’ve seen just enough, thank you very much…”

    pronto, parei.😛

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