Prop. 8, e um belo puxão de orelha

Foi no dia 10 de Novembro de 2008, à 2 dias atrás, que os homossexuais do estado americano estadunidense da Califórnia, perderam seu direito de casar com seus respectivos companheiros e companheiras. E foi na mesma noite que Keith Olbermann, âncora do canal MSNBC, foi à público soltar um comentário que serve de puxão de orelha não só para quem votou à favor da proposta destruição de um direito da população.

As palavras de Olbemann servem para todos nós refletirmos profundamente sobre quais leis seguimos ao discutirmos relacionamentos. Se eu pudesse, faria com que todo o mundo assistisse esse vídeo e pensasse duas vezes antes de acreditar em qualquer besteira hipócrita que um batinado qualquer diz em cima de um palco.

Só queria deixar claro que, assim como Olbemann, não sou gay. Porém, tenho sim diversos amigos – que considero como irmãos – que o são, e me sinto incomodado quando comentários maliciosos são ditos. Mas devemos ter em mente que esse tipo de discussão vai acima de sexualidade, cor, credo, raça, ou o que for. É uma discussão que deve ser desenvolvida para que a humanidade como um todo se desenvolva. O que torna o amor de uma mãe e um filho diferente do amor que um homem possa sentir por outro homem? Amor não possui nível de medida. É igual e forte – quando verdadeiro – para todo mundo.

Sem querer me alongar demais, segue abaixo o vídeo e a tradução por alto que o Pablo postou em seu blog. Sem mais, reflitam.

“Alguns esclarecimentos, como prefácio: não é uma questão de gritaria ou política ou mesmo sobre a Proposta 8. Eu não tenho nenhum interesse pessoal envolvido, não sou gay e tive que me esforçar para me lembrar de um membro de minha imensa família que é homossexual. (…) E, apesar disso, essa votação para mim é horrível. Horrível. (…) Porque esta é uma questão que gira em torno do coração humano – e se isto soa cafona, que seja.

Se você votou a favor da Proposta 8 ou apóia aqueles que votaram ou o sentimento que eles expressaram, tenho algumas perguntas a fazer, porque, honestamente, não entendo. Por que isso importa para você? O que tem a ver com você? Numa época de volubilidade e de relações que duram apenas uma noite, estas pessoas queriam a mesma oportunidade de estabilidade e felicidade que é uma opção sua. Elas não querem tirar a sua oportunidade. Não querem tirar nada de você. Elas querem o que você quer: uma chance de serem um pouco menos sozinhas neste mundo.

Só que agora você está dizendo para elas: “Não!”. “Vocês não podem viver isto desta forma. Talvez possam ter algo similar – se se comportarem. Se não causarem muitos problemas.” Você se dispõe até mesmo a dar a elas os mesmos direitos legais – mesmo que, ao mesmo tempo, esteja tirando delas o direito legal que tinham (o do casamento civil). Um mundo em volta deste conceito, ainda ancorado no amor e no matrimônio, e você está dizendo para elas: “Não, vocês não podem se casar!”. E se alguém aprovasse uma Lei dizendo que você não pode se casar?

Eu continuo a ouvir a expressão “redefinindo o casamento”. Se este país não tivesse redefinido o casamento, negros não poderiam se casar com brancos. Dezesseis Estados tinham leis que proibiam o casamento inter-racial em 1967. 1967! Os pais do novo Presidente dos Estados Unidos não poderiam ter se casado em quase um terço dos Estados do país que seu filho viria a governar. Ainda pior: se este país não houvesse “redefinido” o casamento, alguns negros não poderiam ter se casado com outros negros. (…) Casamentos não eram legalmente reconhecidos se os noivos fossem escravos. Como escravos eram uma propriedade, não podiam ser marido e mulher ou mãe e filho. Seus votos matrimoniais eram diferenciados: nada de “Até que a morte os separe”, mas sim “Até que a morte ou a distância os separe”.

O casamento entre negros não era legalmente reconhecido assim como os casamentos entre gays (…) hoje não são legalmente reconhecidos.

E incontáveis são, em nossa História, os homens e mulheres forçados pela sociedade a se casarem com alguém do sexo oposto em matrimônios armados ou de conveniência ou de puro desconhecimento; séculos de homens e mulheres que viveram suas vidas envergonhados e infelizes e que, através da mentira para os outros ou para si mesmos, arruinaram inúmeras outras vidas de esposas, maridos e filhos – apenas porque nós dissemos que um homem não pode se casar com outro homem ou que uma mulher não pode se casar com outra mulher. A santidade do matrimônio.

Quantos casamentos como estes aconteceram e como eles podem aumentar a “santidade” do matrimônio em vez de torná-lo insignificante?

E em que isso interessa a você? Ninguém está te pedindo para abraçar a expressão de amor destas pessoas. Mas será que você, como ser humano, não teria que abraçar aquele amor? O mundo já é hostil demais. Ele se coloca contra o amor, contra a esperança e contra aquelas poucas e preciosas emoções que nos fazem seguir adiante. Seu casamento só tem 50% de chance de durar, não importando como você se sente ou o tanto que você batalhará por ele. E, ainda assim, aqui estão estas pessoas tomadas pela alegria diante da possibilidade destes 50%. (…) Com tanto ódio no mundo, com tantas disputas sem sentido e pessoas atiradas umas contra as outras por motivos banais, isto é o que sua religião te manda fazer? Com sua experiência de vida neste mundo cheio de tristeza, isto é o que sua consciência te manda fazer? Com seu conhecimento de que a vida, com vigor interminável, parece desequilibrar o campo de batalha em que todos vivemos em prol da infelicidade e do ódio… é isto que seu coração te manda fazer?

Você quer santificar o casamento? Quer honrar seu Deus e o Amor universal que você acredita que Ele representa? Então dissemine a felicidade – este minúsculo e simbólico grão de felicidade. Divida-o com todos que o buscam. Cite qualquer frase dita por seu líder religioso ou por seu evangelho de escolha que te comande a ficar contra isso. E então me diga como você pode aceitar esta frase e também outra que diz apenas: “Trate os outros como gostaria de ser tratado”.

O seu país – e talvez seu Criador – pede que você assuma uma posição neste momento. Um pedido para que se posicione não numa questão política, religiosa ou mesmo de hetero ou homossexualidade, mas sim numa questão de Amor. (…) Você não tem que ajudar ou aplaudir ou lutar por ela. Apenas não a destrua. Não a apague. Porque mesmo que, num primeiro momento, isto pareça interessar apenas a duas pessoas que você não conhece, não entende e talvez não queira nem conhecer, é, na realidade, uma demonstração de seu amor por seus semelhantes. Porque este é o único mundo que temos. E as demais pessoas também contam."

2 comentários sobre “Prop. 8, e um belo puxão de orelha

  1. Meu parecer sobre a questão vai ser sempre enviesado, sou uma fag hag convicta e tenho super amigonas que são bi/gays…

    Deixa as bees casarem, gente, QUAL É o problema???
    QUAL??

    Vamos voltar ao cerne da questão religiosa, vai… desprovendo-nos de argumentos posteriormente modificados, contaminados por Deus sabe (?) que motivações ideológicas…:

    Diz-se que todo o eixo da hostilidade ao homossexualismo é a idéia da procriação.
    A religião tem, como missão primária, fornecer umas regrinhas de conduta em prol da boa convivência entre as pessoas e, de brinde, acaba prometendo que não estamos aí à toa – o que daria um certo conforto às mentes mais inquietas e questionadoras do sentido da vida.
    Ok.
    Prosseguindo… parte da “tarefa” é garantir que HAJA – pra começo de conversa- gente pra quem se possa fornecer as regrinhas de conduta. E, pra isso, como não somos anfíbios, é necessária a interação entre os dois gêneros.
    Muuuuito tempo atrás, quando a qualidade de vida era uma merda, um vilarejo com 500 pessoas era megalópole e a perpetuação da espécie tinha seus desafios, o incentivo até que era uma boa idéia.

    Mas ow… olha só…
    São S E I S B I L H Õ E S de pessoas – and counting! – no mundo de hoje…
    Qual, exatamente, seria o grande desespero em relação ao “Crescei e multiplicai-vos.” ?
    Precisa mais mandar galera se multiplicar não…
    E duvido que as uniões same-sex iriam afetar tannnnto assim as taxas de natalidade.

    Meaning: o discurso religioso – tomando por base que seja só essa mesmo, a motivação, veja bem – tá atrasado. E chato. E feio. E bobo.

    Deixa as bees serem felizes juntas, pô.

    Aposto que, se tirassem aquela parte da bíblia, que diz que Deus condena as bees e vc não vai pro céu se for bee, boa parte do problema estaria solucionado. Os mentecaptos fundamentalistas não teriam mais “o texto divino” pra recorrer e iam ter que amargar o preconceito bem quietinhos, na deles.

    Aliás, tá vendo o prejuízo que UM cara causa?
    Aquele UM cara que, ao rabiscar ali, o que mais tarde geral ia chamar de “”” Livro Sagrado “”” [ler isso à la “Desafiiiio do Beakman” ], resolveu que ia ter uma cláusula condenando os gays.
    (Certeza que foi porque o namorado dele fugiu com outro, a bee ficou ofendida!)

    Tá, alegorias ilustrativas do meu argumento à parte…

    Se é gente, tem direito civil e pronto. Não tem que relativizar.
    Igualdade de direitos é um conceito pra lá de bicentenário, né, gente… não é novidade pra ninguém.
    É o que o cara do vídeo disse… Quanto mais gente feliz andando por aí, melhor. Simples assim.

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