Lendo e vivendo

Se tem uma coisa que me maravilha – e ao mesmo tempo me apavora – em meus hábitos de leitura, não é a facilidade com que eles mudam de escassos para intensos, dependendo do meu humor. Mas sim a facilidade com que eu consigo me inserir no universo em que a história está sendo contada, e mais ainda, me colocar na pele da personagem principal, e dividir com ela suas emoções e ações.

É maravilhoso pois, isso torna a leitura muito mais fácil e prazerosa. Pareço erguer um muro invisível, uma cortina de fumaça, ao meu redor, impedindo que qualquer contato externo seja estabelecido enquanto leio freneticamente uma linha após a outra. Não é raro que minha família tenha que me chamar mais de cinco vezes, me cutucar ou até mesmo me lançar algo na cara, para que eu me desligue do mundo do papel e volte à realidade.

E por isso mesmo é tão apavorante. Também não é raro que eu tenda à mostrar uma preferência pelo mundo dos livros, em detrimento do mundo real. Se a escolha fosse minha, já tinha deixado de respirar nessa Terra e me mandado para outra realidade à muitos e muitos anos atrás – nem tantos assim. Meu hábito de leitura constante só se solidificou à pouco mais de cinco anos atrás. Mas já foi o suficiente para que eu perdesse meus pensamentos em outros mundos e desejasse possibilidades impossíveis para minha vida.

A tendência de me afastar do mundo real e buscar a realidade na ficção vem muito fácil para mim. Muito fácil. Às vezes fácil demais…

E empolgado com o filme, há três dias comecei a ler os dois primeiros livros da série Twilight – Crepúsculo e Lua Nova. Confesso que o clima durante esses três dias foi bastante favorável para que minha mente se lançasse de braços abertos para aquela realidade. No livro, a cidade de Forks, no estado estadunidense de Washington, possui um clima carregado, com fortes nuvens sempre presentes e chuvas constantes. Bem, Belo Horizonte não está sendo exatamente a representação fiel do Hawaii nos últimos meses. Foi fácil pra minha mente criar o ambiente perfeito para a armadilha. Logo quando li o primeiro capítulo do livro, sabia que eu cairia facilmente e por fim, minha prisão não parecia assim tão desconfortável.

É ridículo, mas tenho que confessar que, agora que acabei de ler o dois primeiros livros, sinto um pequeno buraco em meu peito. Eu nunca soube controlar muito bem a intensidade da angústia que se segue logo após o término da leitura de um bom livro. Não por não ter mais o que ler, ou como saber dos próximos acontecimentos dos protagonistas. O que me sufoca é cair na realidade. Saber que aquela fantasia toda não passara de um faz-de-contas. É ruim saber que, no fim, a vida é mesmo cinza e sem graça.

E o pior é ter esse sentimento descontrolado dentro de você, sem saber como espantá-lo para longe, ou ao menos refrear sua intensidade.

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