A História do Leão

O Leão

Era uma vez um leão. Não.

Era uma vez O Leão. Um leão que vivia na mais exuberante floresta que um leão comum pode sonhar em viver. Um leão que tinha orgulho de ser o que era. Que gostava de sentar todas as manhãs, com seus amigos da floresta e olhar as nuvens no céu azul intenso. Um leão que gostava de correr velozmente pela praia, sentindo o vento bater ferosmente, fazendo sua juba balançar.

Os amigos do Leão vivia lhe dizendo quão especial era o Leão. Quão inteligente, forte e bonito ele era. Mas o Leão não acreditava nessas coisas, pois ele sabia que ele era somente mais um leão. A natureza o tinha feito à ponto de parecer bonito, forte, inteligente e feroz aos olhos dos outros animais. Mas o Leão não queria nada disso. O Leão só queria ser reconhecido por sua gentileza e ter seus amigos da floresta por perto.

Às vezes seus amigos da floresta vinham lhe pedir conselhos, ou lhes contar segredos. O Leão ficava honrado por ser considerado de confiança por seus amigos, mas não se considerava tão sábio à ponto de poder dar conselhos. Ele os dava, de qualquer forma. Tentava balancear o que fosse melhor para aquele amigo, naquela hora… Mas tentava não esquecer do equilibrio que a floresta também precisava. Por isso, ele tentava nunca dar conselhos que viessem à machucar os outros animais da floresta. Ele se considerava um leão justo.

Porém, numa manhã fria de Agosto, o céu amanheceu cinza e pesado. Não demorou muito, e uma quantidade incontrolável de água começou a descer das nuvens. Os animais da floresta não demoraram para pedir conselhos ao Leão. Eles procuravam por caminhos para correr, e lugares para se abrigar.

O Leão pensou por alguns poucos segundos e correu. Ele olhou para trás, para se certificar que ninguém o seguia, e viu os olhares de desespero e tristeza estampado nos rostos de seus amigos. Ele respirou fundo e continuou correndo. Enquanto corria, ele tinha certeza que seus amigos iriam entender errado sua atitude. Mas ele não conseguiria explicá-la à eles, ou mesmo providenciar os conselhos que eles buscavam.

Porquê, para o Leão, a chuva não era algo que importava. O Leão se sentia acima dos problemas que a chuva poderia trazer, e não conseguiria explicar aquilo aos seus amigos da floresta, sem parecer arrogante e prepotente. Na verdade, o Leão sentia até um pouco de raiva da chuva, pois ela fazia com que seus amigos da floresta se preocupassem e ficassem assustados por algo que ele não se importava.

A muito tempo atrás, o Leão já havia sido um grande amante da chuva. Ele corria pelas praias somente quando chovia, para sentir os grossos pingos de água baterem forte em seu focinho. Hoje, a chuva era para o Leão somente mais um fenômeno que acontecia na floresta. Ela não o facinava mais, e pelo contrário, às vezes até o aborrecia. Por isso ele correu, e fugiu. Ele não tinha como explicar isso aos seus amigos da floresta. Eles se importavam demais com a chuva, e com os efeitos que ela traria. O Leão sabia que a chuva era passageira, e logo o imenso sol estaria iluminando novamente a floresta às margens do rio Atrium.

O Leão correu e correu, até chegar nesse lugar – uma clareira – com um imenso lago no meio.  Ele ficou relutante por um momento. Deitou e encarou o lago por inúmeros dias. Demorou muito até ele se lembrar daquele lugar, um lago mágico que transformava tudo que tocasse sua superfície.

Já havia parado de chover, quando ele finalmente decidiu tomar uma atitude. Ele sentia falta de seus amigos da floresta, mas sabia que se voltasse como Leão, eles nunca o perdoariam por tê-los deixado na mão quando mais contavam com ele. O Leão então respirou fundo e deu seus pesados passos em direção ao lago. Se mergulhou por inteiro, e quando emergiu, era outra coisa.

O Leão havia se transformado. Não era mais aquele Leão forte, inteligente e bonito. Era agora um lobo. Não. Era agora O Lobo.

Sua pelugem era cinza como aquele céu de Agosto, para que ele nunca se esquecesse do que havia fugido. Não era mais tão forte como quando era O Leão, mas quem fitasse seus olhos por tempo suficiente, veria a sabedoria e a inteligência aumentadas na mente do Lobo. Logo se pôs à correr o mais rápido que pode, e percebeu que agora era ainda mais veloz do que antes. Sentia sua mente se expandir por idéias e conceitos que ele antes nem sonhava em entender. E parou abruptamente quando viu seus amigos da floresta dançando e brincando, todos reunidos.

Ele logo entendeu que, como Lobo, seria necessário tempo até que seus amigos pudessem confiar e tê-lo tão próximo, como quando era Leão. Mas isso não o desencorajou. Por conta da culpa que carregava, por não ter sido capaz de explicar à seus amigos o motivo de sua fuga, resolveu ser um lobo solitário. Não fixaria residência na floresta, mas estaria sempre pronto à ajudar seus amigos, quando necessário. Agora ele não era mais tão forte como antes, então não poderia ser um bom protetor aos seus amigos. Mas sua sabedoria havia se expandido, assim como sua velocidade. Poderia estar na floresta assim que seus amigos precisassem de sua ajuda.

Hoje, o Lobo continua a correr pelas praias, como quando era Leão. Não se incomoda se a chuva bate forte, ou se o vento sopra rápido demais. Tem sempre um ouvido atento à floresta, pronto para correr o mais rápido possível para ajudar seus amigos. Mesmo que eles não saibam que um dia foi o Leão que tomava conta de todos, o Lobo sabe que ainda possui uma grande dívida para com o povo da floresta.

Corre, Lobo. Corre.

[Essa história começou aqui. :)]

2 comentários sobre “A História do Leão

  1. Posso te indicar um livro? Assim que terminei de ler nao senti nenhum buraco no peito, pois ele preencheu-me com vitalidade, deixando essa nossa “realidade” um pouco mais branda, pois te mostra uma nova realidade, explicando que essa que vemos nao é um “real absoluto”, porém relativo, afinal… nossa inteligencia é relativa. Este livro te ouve e te ensina. Rsrs.. Mas tem que gostar de filosofar um pouco, gostar da natureza, algo como estar sozinho em cima de uma rocha grande e em volta o mar agitado, um céu bem azul e gaivotas pairando com você enxergando poesia.

    OSHO – O Homem que amava as gaivotas
    editora Verus

    Se ja leu ou nao gostar eu contra indico rsrsrsrs

    Ah! Tem outro que gosto muito GEMEAS – Nao se separa o que a vida juntou
    editora Gráfica. Esse deixa um buraco no peito rsrsrsrs Eu aconselho a usar a psicologia a seu favor quando isso acontece, pois normalmente isso ocorre quando lemos historias com muitas coisas acontecendo que gostariamos que acontecessem conosco, creio que isso é falta de vivenciar mais a vida, no meu caso, a natureza. É que ela desliga um pouco você das energias concentradas das pessoas a sua volta. O cérebro pede aquilo que você repete, é preciso distraí-lo com a finalidade de leva-lo para percepções menos… tediosas talvez.

    Abs. Eliza.

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