Desconstruindo hábitos absolutos

leite

Você já se perguntou de onde veio a ideia de tirar leite de uma vaca e bebê-lo? Ou o que tinha na cabeça da primeira pessoa ao cortar os próprios cabelos? Qual era a expectativa ao fermentarmos a uva ou a cevada, há tantos milhares de anos? De onde veio o nosso hábito de ler no banheiro?

Essas e diversas outras dúvidas sempre me pegam de surpresa. Acho engraçado e divertido tentar entender o que se passava na cabeça do primeiro ser humano que cogitou fazer alguma dessas coisas – a maioria das vezes eu fico imaginando isso com comidas simples, como o arroz ou feijão. Para verduras e frutas é fácil pensar que vimos os animais comendo e simplesmente copiamos esse hábito. Mas e quantos aos legumes? Quem disse que a batata ou a cenoura que estavam ali embaixo da terra eram comestíveis? Que tipo de necessidade – ou inquietude – passaram nossos ancestrais para cogitarem ingerir aquelas raízes, correndo o risco de não só terem um gosto ruim, mas serem venenosas.

E alimentos que, naturalmente são ruins ou tóxicos, mas quando passados por algum tipo de processo – como o cozimento, por exemplo – se tornam comestíveis e, às vezes até essenciais para a nossa sobrevivência?

Durante a Idade Média européia, era muito mais comum beber vinho ou cerveja pois o processo de produção eliminava as substâncias nocivas que eram abundantes na água da época. Mas o quê passou na cabeça da primeira pessoa que percebeu que um processo de fervura já ajudava a purificar a água?

Eu sei, você pode estar pensando que esse tipo de pensamento não me leva a lugar nenhum. É só um exercício de reflexão que eu gosto de fazer de vez em sempre. Mas eu penso que pode sim me levar a algum lugar… Acho importante tentar entender porque as coisas são hoje do jeito que são, para que possamos identificar se algum padrão que estamos seguindo ainda faz sentido ou se já não deveríamos tê-lo abandonado ou substituido por outro.

Te convido a fazer esse exercício a partir de agora. Pegue hábitos e coisas que são absolutas na sua vida, que você faz quase no modo automático, sem pensar direito. E reflita como aquilo entrou na sua vida, na da sua família, na sua cultura e, por fim, na espécie humana. Desconstrua a lógica por trás daquilo e pense se hoje, com as facilidades tecnológicas e avanços sociais que alcançamos, não há um modo mais “lógico” de realizar essas mesma tarefas ou pensamentos.

Se quiser, deixe um comentário dizendo o que te faz “viajar” nesse sentido ou me conte quais hábitos absolutos acredita estarem ultrapassados e precisando de uma reformulação.

Sobre encalhes, golfinhos e Ingrid Visser

No dia 05 de março, cerca de 20 golfinhos encalharam nas areias da Prainha, em Arraial do Cabo. Os moradores e banhistas que estavam ao redor, após a surpresa inicial de verem os animais nadarem em direção à praia e ficarem agarrados, correram para ajudar. O mais fantástico? Toda a ação foi gravada em vídeo e não dura nem quatro minutos!

Um encalhe é extremamente estressante para os cetáceos e, dizem os cientistas, podem traumatizar um animal pelo resto da vida. Principalmente se o resgate for demorado, alguns animais não conseguem sobreviver nem mesmo após terem retornado ao mar. Neste caso, pela rapidez do salvamento, o “erro de percurso” talvez não deixe sequelas nos golfinhos.

Encalhes de golfinhos e baleias não são raros, mas nos últimos anos os números de ocorrências tem assustado os cientistas. Alguns culpam a intervenção direta do homem no reino marinho, através de sonares, plataformas petroquímicas, e demais construções que interferem no senso de direção dos animais, principalmente com a ecolocalização dos golfinhos. Outros afirmam que são as mudanças climáticas que vem afetando os sonares biológicos dos animais.

orca research trust

Quem faz um trabalho fantástico com animais encalhados é a doutora Ingrid Visser. Ela criou a "Orca Research Trust", uma organização não-governamental empenhada em educar as pessoas, coletar informações e proteger as Orcas da Nova Zelândia. A ORT possui uma “orca hotline”, em que as pessoas podem ligar em casos de avistament0 ou encalhe de orcas. É imensa a quantidade de gente que avisa e, por causa dessas pessoas, a cientista já conseguiu salvar um bom número de golfinhos e baleias assim. [clicar na imagem acima vai te levar pra página do projeto, no Facebook]

No primeiro vídeo abaixo, a doutora Ingrid e voluntários tentam salvar um grupo de baleias piloto que encalharam na costa norte da ilha sul da Nova Zelândia, em janeiro deste ano. No segundo vídeo, a doutora e outros voluntários tentam salvar uma orca macho, no fim de 2010.

#OccupyRobinHood

anonymous1O Anonymous não perdoa. Pega um, pega geral. Também vai pegar você!

Há algumas semanas eles vinham avisando que uma grande operação seria realizada no final de semana do Natal. Não deu outra: na segunda-feira, dia 26, o banco de dados da agência de segurança norte-americana Stratfor foi invadido e diversas informações de cartões de crédito de empresas e do Departamento de Defesa dos USA foram acessadas. Minutos depois, orfanatos, asilos e instituições de caridade ao redor do mundo todo receberam doações em suas contas bancárias, com a singela mensagem de “Obrigado! Agência de Segurança Interna”.

Eu ainda não sei aonde fica minha opinião quanto ao Anonymous e aos movimentos de #Occupy. A maioria das reinvidicações me parecem justas e uma parte de mim pagaria pra ver um mundo onde toda a ordem econômica fosse abalada. Mas a partir de que ponto as ações de cyber/hackerativismo deixam de ser um direito da população de se organizar, e se tornam mais uma forma de roubo? Os fins justificam os meios, afinal de contas? Não é roubo, se o dinheiro vai para caridade?

Em um momento em que o congresso americano tenta passar a S.O.P.A. (Stop Online Piracy Act) como lei, talvez essa ação do Anonymous não tenha sido assim tão boa.

"We are Anonymous. We are Legion. We do not forgive. We do not forget. Expect us."

Para ler mais sobre a ação do Anonymous no dia 26, clique aqui. Para entender mais sobre a S.O.P.A., recomendo este link.

The Tank Bangers – Our Blue..

Mesmo que você nunca tenha feito qualquer tipo de mergulho, seja de cilindro ou de apnéia, não é difícil imaginar as atrações que o mundo embaixo d’água exerce sobre alguns de nós. A água em si, já é um fascínio que atrai qualquer bebê. Não é difícil então imaginar porquê um grupo de instrutores e guias de mergulhos resolveram gravar um vídeo, cantando seu amor pelo azul submarino e, ao mesmo tempo, alertar sobre a prática cruel do finning.

No site dos Tank Bangers, eles contam a história de como, em uma tarde no Mar Vermelho do Egito, eles decidiram gravar um vídeo de zoação (cantando Bohemia Rhapsody, do Queen), e como aquilo evolui para algo mais sério. São 300 mil golfinhos e baleias morrendo, por ano, presos em redes de pesca ilegal. 100 milhões de tubarões por ano morrem pela prática do finning. Durante os seis minutos e meio do vídeo, 850 tubarões tiveram suas barbatanass cortadas e devolvidos ao mar, muitas vezes ainda com vida.

Mesmo que você não se importe com a vida marinha, ou acha que não pode fazer qualquer diferença no mundo, te convido a assistir o video abaixo. Garanto que você vai se impressionar com as fantásticas imagens, possíveis só em um ambiente rico em biodiversidade e beleza, como o fundo do mar. E a música é bem bonitinha também! Smiley piscando

 

P.S.: a título de curiosidade, aquela bolha de ar aos 1:25 minutos é extremamente difícil de se fazer. Mas o efeito, como vocês viram, é fantástico! Alegre

Let’s Share Some Life…

 

Não, sério. Parei de brincar. Não dá pra segurar as lágrimas com as ações que o Improv Everywhere realizam pra bandeira “Life’s For Sharing”, da T-Mobile do Reino Unido. #ExageroEmocional

 

 

Não é de hoje que eu sou fã das ações da Improv Everywhere. São idéias simples, de uma execução relativamente fácil, mas que são divertidas, geram um buzz extraordinário, e agregam um valor emocional absurdo pra marca. Claro, os méritos vão muito mais pra T-Mobile e sua estratégia. Mas essa é uma discussão que deixo pros comentários. Por hora, aproveitem os vídeos e go share some life. Smiley piscando

Fazendo Magia

Spilogo Tem gente que não acredita em magia. Que acha que fazer e acreditar em magia é coisa de criança, ou de bobo. O pior é que grande parte da sociedade – e das engrenagens que a fazem girar – te forçam a acreditar nessa mentira. Sim, mentira. Magia é fácil, prático, e se até eu já consegui fazer, te garanto que qualquer um pode dar seus pulos por ai.

Magia não é lançar bolas de fogo pelas mãos, não é dividir oceanos, não é domar tempestades ou andar sobre as águas. Mas confesso que seria bem prático saber transformar água em vinho. Magia não é algo sobrenatural, mas com certeza é algo mágico.

Fazer magia é saber tocar no emocional das pessoas. É saber sorrir, ser carinhoso, é querer e estender uma mão de suporte quando o outro necessita. Um músico faz magia quando consegue criar uma música que te lembra aquele domingo chuvoso no ponto de ônibus, nos braços de uma pessoa especial. Magia é quando um publicitário desenvolve uma campanha que te faz realizar que simples mensagens de carinho e conforto são algo importante na recuperação de pacientes com doenças graves. Tem algo mais mágico do que um sorriso de um bebê?

Caminhar aquela “milha extra” é sempre uma forma legal de gerar magia.

Tenho casos de magia em minha vida que nunca esquecerei. Em um deles, eu tinha acabado de me mudar para a cidade grande, e estava com bastante receio de ir andando até minha nova escola. Lembro que estava caminhando por uma rua qualquer, com uma expressão tensa no rosto, quando passei por uma velhinha que, sem motivo algum, sorriu e me desejou um “bom dia”. Pra qualquer outra pessoa, poderia não significar nada. Mas pra mim, que estava tão travado naquela hora da manhã, o sorriso e o bom dia da senhora foi como um boost de coragem, calma e confiança. Não tive outra reação a não ser sorrir e lhe desejar um bom dia, em retorno.

Quando se trabalha na maior empresa de entretenimento do mundo, se aprende que o importante não é criar a  magia, mas mantê-la. A magia – assim como um suspiro, uma bolha de sabão, e dentes de leão – é uma coisa frágil. Tem a duração de instantes, momentos raros e únicos, que podem mudar o rumo de vida das pessoas. Não é incomum ouvir pessoas reclamando, por causa de uma única experiência ruim. A magia também tem seu lado negro, você já deve ter ouvido falar.

Magia não é bicho de sete cabeças, apesar do que algumas pessoas insistem em acreditar. Você já fez alguma magia hoje?

Leitura Defecal – de onde veio?

Aprendeu com quem? Já pararam pra pensar em quem será que foi a primeira pessoa a ler enquanto usava o banheiro? Será que foi um faraó de estômago difícil, no antigo Egito? Tava cansado de perder tempo olhando os hieróglifos no banheiro real, e resolveu levar um papiro modesto consigo. Céus, a própria leitura de hieróglifos pode ter gerado toda essa nossa cultura de absorver cultura enquanto fazemos merda. Infelizmente, aprendemos também à fazer merda e chamar de cultura. Mas acho que isso pouco teve a ver com os faraós.

Talvez tenha sido uma mulher. Uma bibliotecária real, de bexiga preguiçosa, na idade média. Devemos anos a fio de leitura defecal à uma senil senhora que, não raras vezes, usava o próprio papel que lia para se limpar? Será que depois ela se perguntava aonde tinha ido parar aquela passagem importante, que precisava ser transcrita?

Quem sabe essa tradição não é mais antiga? Herdamos dos Feníncios, Mesopotâmicos, Babilônicos e Sumérios, com sua escrita cuneiforme, e tábuas duras que, definitivamente, não serviam para nada além da leitura? Duro imaginar que os antigos sábios sequer cogitaram um dia se limpar com aquelas tábuas, ao se darem conta que a folha de bananeira tinha acabado.

Será que foram os Celtas? Às vezes, toda essa tradição de ler e cagar fazia parte de algum ritual antigo. Sei lá, vai ver que o papel da época ficava melhor paraos feitiços depois de uma adubação humana. Esses celtas sempre gostaram de coisas naturais e contato com a natureza. É bem provável, viu…

Seja lá quem tenha sido, agradeço por ter deixado a invenção na memória genética humana. Ato tão sagradamente enraizado em nossa cultura – ato esse que é difundido em todo o planeta – deveria ter seu próprio feriado mundial. Voto no Mr. Hankey de South Park como garoto propaganda e mascote oficial. Agora me dá licença que eu vou ler mais um pouquinho.